Reflexão sobre o deslocamento Parte 3.


Por um tempo eu deixei esse blog sem atualizar, mas repentinamente vi uma movimentação. Atualizei essa parte da postagem, mas as anteriores continuam intocadas.

Como vimos na postagem anterior; a mudança do transporte público do Rio de Janeiro vai acarretar em muitas mudanças. Uma delas é o deslocamento dos trabalhadores para essa área.

A maior parte das pessoas que fazem a zona sul funcionar não moram no local. Pois é uma das áreas mais caras da cidade. Até as suas favelas são ocupadas por turistas, hotéis e pousadas. Dificultar esses trabalhadores de chegar no seu local de trabalho implica em diminuir a qualidade do serviço e aumentar o gasto dos patrões com o transporte desses funcionários. Diminui a qualidade do serviço pois o trabalhador vai ter menos tempo de descanso e mais dificuldade em chegar no seu local de trabalho. Ninguém é de ferro, por mais que todos queiram dar o seu melhor no serviço o cansaço sempre afeta o trabalhador.

Hoje no Brasil o empregado recebe vale transporte para usar nos seus dias de trabalho e isso é parte do gasto da empresa com ele e não sai do salário do indivíduo (na maioria dos casos). O bilhete único carioca poderia solucionar isso, pois se você pegar um segundo ônibus em menos de 2 horas e meia você não paga a segunda passagem. Muitos dos trabalhadores já pegavam dois ônibus para chegar no seu local de trabalho e agora vão ter que pegar três. Você pode até achar que R$ 3,40 a mais não vai fazer falta. Mas no final do mês esse valor pode chegar a R$ 1000,00, somente em passagem. Esse dinheiro faz falta?

Um terceiro ponto que eu quero trabalhar nessa postagem é o deslocamento dos estudantes. Se o indivíduo tem dificuldades em chegar na sua escola, ele pode mudar de escola para uma mais perto ou mais fácil de chegar. As faculdades públicas do Rio de Janeiro estão concentradas na Zona Norte e na Zona Sul. A faculdade não dá para escolher mudar para uma mais próxima da sua casa, até porque se fosse simples assim eu mesma já teria feito isso. Algumas pessoas gastam até 3 horas se deslocando até a sua faculdade, chegando a quase 6 horas por dia no transito. Uma baldeação a mais vai impactar em uma maior lotação nos ônibus e causando um maior desconforto nas pessoas que já ficam boa parte do dia no trânsito.

Gostaria de por aqui um relato que ocorreu na primeira semana da primeira mudança do itinerário dos ônibus;

"O XXX é um ônibus que costuma esvaziar na Avenida Rio Branco às 9h da manhã e seguir quase vazio para Copacabana. Nessa semana o ônibus parou nessa rua e entraram tantas pessoas que o motorista teve que pedir para pararem de entrar porque o ônibus já estava lotado. Já tinha passado a hora de maior fluxo e muitas pessoas ainda precisavam chegar nos seus compromissos na Zona Sul."

O corte das linhas de ônibus vai acarretar em lotação de outras linhas. Ou seja, ao invés de termos cinco ônibus um pouco vazio, vamos ter um ônibus lotado. Causar mais desconforto em pessoas que já estão desconfortáveis é desumano. O caminho oposto também vai afetar outras pessoas. Também tem alunos dessas faculdades morando na Zona Sul que vão ter dificuldade em se deslocar para estudar. Nesse critério a mudança do itinerário afeta todas os estudantes.

Uma nota sobre a sociedade brasileira

Quero aproveitar esse fim de semana em que o ENEM deu um balde de água fria nas pessoas de raciocínio estagnado nos anos 60. Mas não vou aproveitar para falar sobre o que as pessoas estão tão aclamando e sim sobre o quão a frente estamos em comparação aos outros países.

Fica claro no nosso dia a dia o quanto o brasileiro valoriza mais a língua inglesa do que a sua própria. Até os portugueses ficam fazendo piada sobre nós do tipo "Quando vocês vão aprender português?". Isso porque nós brasileiros preferimos as músicas em inglês, assistimos seriados legendados a pesar de termos uma das melhores dublagens do mundo e valorizamos muito mais a cultura americana do que a nossa própria. Ou pense com você mesmo; "Você sabe todos os estados brasileiros e as suas capitais? E os estados dos Estados Unidos?".

Meus leitores, vou aqui indicar um ponto em que os brasileiros estão a frente dos estados-unidenses e até de muitos países europeus! Nós temos uma presidente mulher e divorciada. Sim, Dilma Rousself se divorciou de Cláudio Galeno Linhares em 1969 (só oficializado em 1981) e de Carlos Araújo em 2000. Quando Dilma ganhou a eleição foi uma grande comemoração por termos uma líder mulher, mas vocês sabiam que ela é divorciada? Países como França e EUA não deixariam isso passar.

Como podemos ver o caso de Sarkozy e Carla Bruni, depois do boato de traição a vida pessoal deles passou a ser alvo de interesse internacional. Nos EUA temos o ex-presidente Bill Clinton que é lembrado pelos seus escândalos sexuais e não pelo seu governo. O príncipe Charles será lembrado por ter traído a Lady Diana. Enquanto que no Brasil, a nossa presidente será lembrada pelas suas frases épicas e por durante o seu governo o dólar ter chegado ao valor de 5 reais, mas nunca por ela ter se divorciado duas vezes. Nesse ponto estamos a frente dos países mais avançados porque a vida privada da nossa líder não tem importância nenhuma. Meus parabéns brasileiros!

Antes de você comparar o Brasil com o exterior pense nisso.

Reflexão Sobre o Deslocamento - Parte 2

Parte 1 aqui.

Como vimos na postagem anterior; a mudança do transporte público do Rio de Janeiro vai acarretar em muitas mudanças. Uma delas é o deslocamento dos trabalhadores para essa área.

A maior parte das pessoas que fazem a zona sul funcionar não moram no local. Pois é uma das áreas mais caras da cidade. Até as suas favelas são ocupadas por turistas, hotéis e pousadas. Dificultar esses trabalhadores de chegar no seu local de trabalho implica em diminuir a qualidade do serviço e aumentar o gasto dos patrões com o transporte desses funcionários. Diminui a qualidade do serviço pois o trabalhador vai ter menos tempo de descanso e mais dificuldade em chegar no seu local de trabalho. Ninguém é de ferro, por mais que todos queiram dar o seu melhor no serviço o cansaço sempre afeta o trabalhador.

Hoje no Brasil o empregado recebe vale transporte para usar nos seus dias de trabalho e isso é parte do gasto da empresa com ele e não sai do salário do indivíduo (na maioria dos casos). O bilhete único carioca poderia solucionar isso, pois se você pegar um segundo ônibus em menos de 2 horas e meia você não paga a segunda passagem. Muitos dos trabalhadores já pegavam dois ônibus para chegar no seu local de trabalho e agora vão ter que pegar três. Você pode até achar que R$ 3,40 a mais não vai fazer falta. Mas no final do mês esse valor pode chegar a R$ 1000,00, somente em passagem. Esse dinheiro faz falta?

Parte 3 aqui.