Protestos em Milão

Ontem foi o dia mundial do trabalho, em várias partes do mundo é um dia normal para fazer manifestações exigindo melhores condições de trabalho, mais empregos ou para celebrar. O mesmo dia foi a inauguração da Exposição Universal em Milão. O mesmo dia acordou em protestos contra a exposição. Viva a cidade celta.

Esse evento tem como objetivo debater em seis meses a respeito da agricultura e a alimentação e também o incentivo a globalização. Uma das primeiras partes teve a participação do Papa Francisco que se pronunciou ao vivo apoiando a exposição e confirmando que o problema da fome do mundo não é a falta de comida e sim a má distribuição dela. Porque ao mesmo tempo que temos gente morrendo de fome temos pessoas morrendo de obesidade. O Papa também criticou o fato de o evento dedicado ao desenvolvimento sustentável e à alimentação dos mais pobres depender de grandes corporações.

Só que a Exposição já começou com algumas falhas graves. Países como Bangladesh e Sudão aceitaram participar e tiveram seus vistos negados pelo governo italiano. Expositores de artesanato indiano pagaram 200.000 euros para participar do evento e seu pedido de acreditação ainda não foi processado. É o mesmo que você pagar o aluguel de uma loja num parque de diversões e ter que pagar a entrada. Uma exposição com o intuito de unir os países e difundir a cultura mundial está negando a entrada de alguns países.

O governo italiano investiu milhões de euros para se preparar para o evento, o que causou transtornos por causa diversas obras que duraram semanas para preparar a cidade de Milão. Os jornalistas locais afirmam que tiveram vários desvios de dinheiro, atrasos e corrupções por trás de todas essas obras. Mesmo com todo o dinheiro público, todos os países que participam do evento pagam uma altíssima taxa de participação e são vendidos milhões de ingressos a preços absurdos para quem queira entrar no local. Sem falar que a maior parte das empresas participantes são multinacionais, famosas por proporcionar a má distribuição da comida e o seu desperdício.

Por causa disso, e de muitos outros fatores, a cidade acordou em caos. Cerca de 30 mil manifestantes pararam o centro de Milão. Alguns mascarados tacaram fogo e picharam prédios, saquearam lojas e viraram carros para demonstrar seu desgosto pelo evento. Claro que a maior parte deles estavam protestando pacificamente e quando a bagunça começou o grupo pacífico de dispersou.




Até onde vai o direito de se manisfestar?

O que eu mais acho interessante é que os países europeus e os Estados Unidos é normal se manifestar. Na Alemanha, por exemplo, os manifestantes são tão organizados que eles marcam dia com os próprios políticos. Até mesmo os Neonazistas combinaram com a prefeitura para se manifestarem no dia primeiro de Maio. Claro que sempre existem os "Black Blocs", como ficou bem claro nesse protesto em Milão.


Alguns italianos se mostraram a favor da manifestação e totalmente contra os graves atos de vandalismo dessa pequena parte de manifestantes. Como foi com a banda Finley, original de Milão. Na página da banda foi deixada a seguinte mensagem;

"Appena usciti dalla radio ci ritroviamo in una Milano apocalittica.
Strade vuote, sirene spiegate e una pioggia insistente.
A pochi passi dalla guerriglia.
Coloro che stanno manifestando non sono studenti, né lavoratori.
Loro non manifestano per un diritto.
Loro non hanno la minima idea di cosa significhi protesta.
Oggi Milano puzza di inciviltà, e di uomini di merda."

Traduzindo;
Como você pode ouvir no rádio estamos em um Milão apocalíptico.
Ruas vazias, sirenes ligadas e uma chuva persistente.
A uma curta caminhada a partir dos guerrilheiros.
Aqueles que estão demonstrando não são estudantes ou funcionários.
Eles não aparecem para a direita.
Eles não têm a menor ideia do que é o protesto.
Hoje Milão cheira a incivilidade, e a  homens de merda.

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