Monólogo; Relacionamentos e a Individualidade

Olá leitores, eu devo ter ficado alguns meses fora do ar por vários motivos.
Um deles foi que eu estava sem computador (o adorável James Dean curtiu isso), visitei parentes na Europa e revi as minhas origens Mouras e Celtas (talvez eu faça uma declaração que choque a todos sobre minhas origens Mouras), voltaram as aulas da faculdade e comecei um relacionamento novo.
Para voltar em grande estilo, vou fazer um monólogo sobre relacionamentos.

Relacionamentos e a Individualidade

Porque quando vemos um casal não conseguimos separá-los como pessoas diferentes? Porque é disso que se trata; duas pessoas diferentes que se amam. Nós tratamos os casais como se fosse uma massa antropomórfica que vive junto, pensa da mesma maneira e são socialmente iguais.

Imaginem quando conhecemos uma pessoa na escola, trabalho ou faculdade. Conhecemos ela em um ambiente individualista e formal. Mas aí acontece uma festa e você percebe que essa pessoa é comprometida. Então as duas pessoas passam a ser vistas como "um casal". De uma formal artificialmente moldada pela sociedade você faz comentários do tipo "Vocês são lindos juntos.", "Suas profissões combinam, podem fazer planos de carreira sem interferir no relacionamento", "Como vocês se conheceram?". Pronto a pessoa que você conheceu primeiro e o respectivo companheiro(a) passam a ser um ser só, a individualidade foi pro lixo.

Agora vem a parte que os amigos se dividem em dois grupos; o rompimento do casal. Segundo "O Código do Amigo" (regras não escritas em lugar algum, mas que as pessoas seguem, e conhecem, para terem um bom relacionamento com os amigos);  "Quando um casal, no qual você é amigo dos dois, rompe você deve escolher entre um deles para se relacionar.". Vai me dizer que não é assim? Isso quando o rompimento é violento, brusco. Claro que existem casais que terminam em acordo e até um tempo depois voltam como amigos. Mas na maioria dos casos, inclusive quando o rompimento é pacífico, os amigos se dividem como óleo e água. Eles escolhem um lado e cada lado fala mal do outro lado. As vezes escolhemos um lado porque conhecemos a pessoa a mais tempo que a outra, ou porque temos mais intimidade com ela, ou porque julgamos que ela é a vítima do término. *Sarcasmo mode on* sim, afinal só um dos lados sofre com o rompimento e você é onipresente e onisciente do relacionamento deles, sendo assim perfeitamente capaz de julgar quem é a vítima e quem é o vilão *sarcasmo mode off*.

Isso é uma das atitudes mais humanas que eu já observei. Humanas porque é exclusivo da nossa espécie. Muito bem humanos! Vocês inventaram a comunicação, a roda, dominaram o mundo e também inventaram a idiotice. Não estou me excluindo desse texto, todos fazemos isso e todos vamos fazer isso.

Não conseguimos aceitar a realidade de que eram pessoas individuais que andavam de mãos dadas. Não vimos que eles pensavam diferentes e até tinham planos diferentes. Não gostamos da ideia de ver eles, tempos mais tarde, com outras pessoas. Não conseguimos entender como duas pessoas que viviam grudadas agora nem se olham nos olhos quando cruzam pela rua.

O ser humano também inventou uma pequena pérola, chamou ela de Empatia. Os humanos gostam de pegar a Empatia e deixar em uma prateleira de depósito. Eles a tiram de lá quando passam por uma experiência semelhante, então eles contatam o outro lado, aquele oposto que eles escolheram e que falaram mal até as orelhas da pessoa caírem, e falam "Agora eu entendo.".

Tire a sua pérola do depósito e ande com ela pendurada no pescoço.

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