Analisando o livro "A culpa é das estrelas"

Não pretendo fazer uma resenha desse livro, até porque já lançou o filme e milhões de outros já falaram sobre isso. Essa postagem vou comentar o que o filme deixou de mostrar ou ocultou e o que podemos aprender com o livro.




- Hazel não era uma menina sem nenhum amigo e que não fazia nada da vida
Provavelmente porque o namoro com ela e Augustus fosse a parte mais importante do livro. Mas Hazel frequenta a faculdade e tem pelo menos três amigos fora Augustus e Isaac. E Augustus frequenta as aulas do segundo ano do Ensino Médio. No filme não aparece nenhuma cena dela indo para a faculdade e nem do Augustus frequentando ou voltando da escola. O que eu acho muito importante, porque passou a imagem de que crianças com câncer não estudam e muito menos saem de casa com amigos.

- Os pais de Hazel eram obesos
Sim, eu acho importante mostrar atores obesos nas telas do cinema. Afinal é a realidade dos Estados Unidos e de muitos países. Seria custar muito mostrar o real? Shailene emagreceu para interpretar Hazel, mas a personagem era realmente muito magra. Mostraram os pais dela como um casal jovem e magros, a mãe, por sinal, esquelética. No livro deixa bem claro que eles são velhos, tristes e bem acima do peso.

- A razão do título
Eu posso estar errada sobre isso. Mas pelo o que eu entendi o livro levou esse nome porque Peter Van Houten escreve uma carta e em parte dela ele cita Shakespeare, que dizia mais ou menos assim: não se pode colocar a culpa nas estrelas. Nesse sentido "as estrelas" seriam o destino. E também o casal se tornam apaixonados por Champagne, "o gosto das estrelas".

- Privilégios do Câncer
Câncer é, sem nenhuma discussão, a pior doença de todas. É o seu corpo dando defeito e sendo dominado por ele. Por isso as pessoas ficam mais generosas e sentimentais quando lidam com pessoas com câncer. Quebram regras só para realizar mimos para elas. Essas pessoas passam a ser, em certo nível, intocáveis. Isso também está ligado ao fato de que o câncer é a única doença em que "se luta contra" ela. Você nunca vai falar de alguém que "lutou contra" uma gripe. E também ninguém que "superou" um osso quebrado é um vencedor.

- Não há glória na doença
Antes do século XX, o câncer era uma doença desconhecida, ou muito pouco estudada. Quanto mais havia uma cura ou tratamento para ele. Antigamente quando alguém morria de uma doença incurável, era considerado amaldiçoado e era isolado do resto da população. Quando uma doença é retratada, é sempre uma cena triste ou assustadora. Foi somente com o "privilégio do câncer" que ter uma doença, e exclusivamente essa, passou a ser sinônimo de força.

- Por favor pessoal! Eu não estou desmerecendo os sobreviventes de câncer. 
Só estou colocando em quentão de que essa é a única doença "glorificada". Se você sobrevive é considerado um exemplo para o resto da sociedade, uma pessoa forte. Se você morre, é também. E a pessoa passa a girar em torno da doença. Ela não é mais uma pessoa. É um indivíduo com câncer. Essa questão está bem clara no livro. E o filme gira em torno do casal e da doença. Como comentei no primeiro tópico, no filme não mostra nenhuma cena deles frequentando escola e saindo com amigos "saudáveis"
.


2 comentários:

Mariana Leal disse...

Eu não vou nem opinar pois qualquer opinião minha é suspeita, uma vez que, sou super fã do livro e não vejo defeitos kk
http://toobege.blogspot.com.br/

Laura Tuí disse...

Os únicos defeitos que eu achei foram os dois primeiros tópicos e foi sobre o filme, Mariana. Adaptar o livro para os cinemas, vai sempre faltar alguma coisa.
O resto só coloquei em questão coisas que o livro trás. Acho muito bom a juventude de hoje ler livros que trazem assuntos tão delicados. Só queria que não focassem tanto no romance.