Os Elfos e o Natal

A história a baixo é sobre uma pequena aventura com Paul di Bordeaux, Satoshi Missihari e a participação especial do Doctor Who. Como estreiei o blog recentemente não tive tempo de apresentá-los a esses personagens. Para você entenderem um pouco: Satoshi é um elfo misterioso que não envelhece, foi criado em uma família humana até os 18 anos quando descobriu que era bisneto do Senhor dos Elfos de Tuí; Paul é um franceeis que sofreu uma mutação em Kiev que ativou uma parte do seu material genético e o transformou em elfo. Ele anda muito confuso e Satoshi só piora a situação. Agora, a história:



Parte 1



            Paul de Bordeaux

            As ruas estavam cobertas por neve e uma fina camada de gelo. Eu assistia os flocos de neve se empilhando na janela do meu quarto enquanto refletia. Infelizmente, havia deixado minhas roupas de neve na França. Comprei novas roupas de neve e uma bota para andar na neve. Minha vida estava limitada em duas quadras: o hospital, um restaurante bom, um cabeleireiro bom, uma praça e meu apartamento compartilhado com Elfos agitados. A neve não era a única coisa que estava me desanimando. Estávamos no final de Novembro. Eddward estava fazendo as malas, ia para a Noruega passar Dezembro com a família. Tor já partiu para passar o mês com a família em Aosta, Itália. Andrew disse apenas que iria visitar seu filho. Andrew nunca falou nada sobre seu filho. Porém, eu não era o único sem ter para onde ir neste Natal. Satoshi perdeu o contato com sua família no Brasil há décadas e os elfos não comemoram o Natal. Eu poderia voltar para Bordeaux, mas minha família, especialmente os mais idosos e chatos, estão meio distantes desde minha mutação. Poderia ir para Londres, mas como explicaria para o meu pai?

- Oi pai! Virei um Elfo. Vim passar o Natal! – Disse em voz alta.
- Falando em voz alta? – Satoshi surgiu na minha cama. Odeio quando ele faz isso. – Esta ficando louco?
- Eu fiquei louco desde que você entrou na minha vida.
- É o que todos dizem. – Ele fez um beicinho e olhou para a porta. – Ela esta na sala. Amanhã ela vai voltar para a Itália.
- Ela vai ficar lá para sempre? – Sentei ao lado dele.
- Não... Apenas um mês. – Satoshi suspirou. – Depois ela tem que viver em Tuí. Ordens do Senhor.

            Suspirei. Por mais separada que fosse, minha família era muito importante para mim. Assim como a família do Satoshi era importante para ele e a família da Laura é importante para ela. Andrew, Eddward e Tor são sortudos. Bem, eu tinha Noah ainda. Mas ele está viajando. Outro dia ele me mandou um e-mail perguntando porque eu nunca respondia os cartões postais dele. Pelo visto quando eu voltar pro meu apartamento em Bordeaux vai ter dezenas de fotos de Naoh em vários cantos do mundo.

- Satoshi. Onde você vai passar o Natal?
- Aqui.
- Não.
- Onde então? Na rua? Está frio lá fora!
- Não, você vai vir comigo para Londres!

            Levantei da cama e peguei uma mala, abri-a e comecei a selecionar roupas. Satoshi me observava enquanto eu colocava as peças uma por uma com cuidado. Olhei para ele.

- Quantos anos você não comemora o Natal?
- Desde que descobri que era um Elfo.
- Como era o Natal no Brasil? – Sentei ao lado dele.
- Não muito diferente do que qualquer outro Natal. Reuníamos a família, fazíamos os presentes. Minha mãe fazia um pão com frutas.
- Frutas cristalizadas?
- Não, elas eram muito caras.
- No meu Natal Londrino, eu e meu pai comíamos peixe com fritas e assistíamos Doctor Who.
- Achei que a sua família de Londres era tão grande quanto a sua família de Bordeaux.
- Era menor, mas todos do interior. Meu pai gostava de aproveitar o tempo comigo e quando eu ia morar lá, eram os parentes que vinham nos visitar. Mas o Natal era nosso.

            Satoshi abriu um sorriso. Eu estava decidido e insisti até que ele aceitou passar o Natal comigo e com o meu pai. Fui até a sala e peguei o telefone, foi então que eu a vi. Laura segurava um leão de pelúcia e estava sentada no sofá. Ela olhava fixamente para a televisão ligada e mal reagia com as imagens. Seus cabelos estavam brilhantes e penteados, seus olhos brilhavam e suas bochechas estavam rosadas. Ela mudara muito desde a primeira vez que a vi, estava tão bela quanto eu imaginei que era ficaria quando se curasse.

- Como você é bonita. – Sussurrei.
- Pare de falar besteiras, Paul. – Ela respondeu sem desgrudar os olhos da TV. Ela não sorria, por mais que a imagem fosse engraçada.

            Ainda doente. Com o telefone na mão sentei-me à mesa de jantar e liguei para meu pai. Dois toques.

- Oi?
- Oi, pai.
- Paul?
- Oi, pai.
- Tudo bem, filho?
- Tudo bem, pai. Pai, posso passar o Natal com você?
- Estava esperando por isso. – Ouvi uma voz no fundo. Era um homem perguntando se eu iria para Londres.
- Quem esta aí?
- Er... Um velho amigo, Paul. Quando você vem? – A voz no fundo perguntou sobre o Satoshi.
- Quem esta aí? Como ele conhece o Satoshi?
- Escute filho. Não posso falar com você. Venha o mais cedo possível!
- Pai! – Ele desligou.

            Esmaguei o telefone entre os meus dedos. Vou ter que comprar um novo.

Um comentário:

Letí Bianchini disse...

Nossa Laura,muito legal, agora vo pra segibda parte:)))