Os Elfos e o Natal



Parte 3

            Paul di Bordeaux

            Ele nos levou até o meu antigo quarto. Entre as paredes estava uma cabine de polícia azul dos anos 60. Eu dei um grito de alegria, Satoshi ficou curioso e entrou sem pedir permissão. A TARDIS estava como no antigo seriado, pequena por fora e um universo por dentro. Dedilhei os painéis enquanto o Doutor me observava de longe. Satoshi foi explorar o interior e voltou minutos depois vestido de rei medieval. Que visão cômica, um japonês de cabelo comprido vestido de rei. Eu e o Doutor demos altas gargalhadas.

- Estou parecido com o meu bisavô, Miguel. – Disse Satoshi.
- Você acredita agora? – Disse o Doutor. Concordei com a cabeça. – Ótimo! Vamos para a sala, preciso resolver um mistério com vocês!

Foi então que entre goles de chá e mordidas em biscoitos que ele nos contou o que realmente estava acontecendo. Os presentes de Natal estavam sendo roubados por Anões. Satoshi suspirou, ele não gostava de Anões. Os presentes foram levados para um depósito abandonado no norte da cidade e estava sendo guardo por anões armados. O Doutor não pode avançar mais daí. Ele não sabia nada sobre anões, mas sabia quem sabia sobre eles. Por isso ele procurou o meu pai e pediu para que eu visse para Londres com Satoshi. O Doutor conheceu Miguel, o bisavô de Satoshi, há muitos anos atrás. Miguel apresentou-o ao mundo oculto das criaturas fantásticas.

- Porque um anão roubaria presentes de natal? – Perguntei.
- Eu não sei. – Disse o Doutor. – Você sabe? Satoshi.                 
- Bem... – Satoshi colocou a mão do queixo. – Os presentes de Natal significam muito pra os humanos. E tanto os anões quanto os humanos são gananciosos. O único motivo para um anão fazer um furto seria se ele tivesse sido furtado. Ah... Os humanos dominaram York! Agora faz sentido!
- Como?
- Mês passado houve uma inauguração de uma fabrica nas proximidades da cidade de York. Essa cidade pertence aos Anões no mundo paralelo. Os humanos devem ter poluído a casa deles, logo eles resolveram estragar o Natal de Londres, uma das cidades mais importante dos humanos. Leve-me até eles.

           Então fomos até o norte da cidade. Satoshi ainda estava vestido de rei medieval. Uma aparência mais élfica ajudaria na hora de falar com os Anões. Chegamos ao depósito. Ele estava cercado por anões armados com arcos e flechas. Satoshi pediu para que esperássemos de longe e ele nos chamaria. Ele se aproximou do depósito.

- Anões, me dêem um minuto de sua atenção! Meu nome é Satoshi Missihari, bisneto de Miguel Lírede! Vim da cidade de Tuí para falar com seu senhor. Trouxe comigo dois companheiros. Peço sua hospitalidade. – Ele fez uma reverência.

           Um dos anões entrou no depósito. Satoshi acenou para nós e nos aproximamos. O anão voltou a abriu o portão para nós.

- O senhor os aguarda. – Ele disse.

          O anão nos guiou para dentro do depósito. Por dentro o depósito parecia mais abandonado ainda. As pilastras quebradas estavam cercadas de pilas de presentes. Reconheci o senhor dos anões logo na entrada. Um caminho limpo de lixo ou presentes levava a uma cadeira alta e confortável, mas não alta e confortável o suficiente para chamar de trono.

- Sejam bem vindos, elfos. Que mensagens trazem para mim? – Disse o senhor dos anões.
- Meu bom anão. – Satoshi deu um passo a frente. - Ouvi os lamentos dos humanos de Londres e peço que os perdoem. Eles não conhecem o mundo oculto, as histórias antigas perderam o seu valor e agora são chamadas apenas de lendas ou folclore. Se eles roubaram seu lar, venho oferecer outro lugar para morar. Perto da minha cidade existe uma alta montanha com recursos minerais intactos, além das tocas dos hobbits. Não é como a sua antiga cidade. Mas os convido a serem os meus vizinhos.
- Hum... Você é quem na sua terra?
- Sou um guerreiro. Mas agora, falo pelo meu senhor. Os elfos gostariam muito da presença de anões.
- Aceito seu convite. Mas desejo que os humanos tenham o que merecem.
- Isso eu posso cuidar para você. – Disse o Doutor. – Prometo cuidar da fabrica que poluiu seus rios.
- Quem é você, em sua terra?
- Eu sou o Doutor. Mas não tenho terra.
- Um nômade. Eu aceito sua proposta. Esta noite mandarei os presentes de volta as casas dos humanos.
- Obrigado, eu os aguardo na minha terra. – Satoshi fez uma reverência. Eu e o Doutor também. – Com licença. – Saímos do depósito.

          Dias mais tarde o Doutor viajou para York e mexeu nas máquinas da fabrica para não poluir os rios próximos. Talvez em breve os anões voltem para a sua montanha. Por enquanto eles se alojaram nas proximidades de Tuí. Miguel não ficou muito contente com aquilo.
        Naquela noite, meu pai voltou do trabalho e fritou peixe e batata para a nossa ceia de Natal. Mas naquele ano não vimos Doctor Who, o próprio Doutor estava na nossa casa e nos contou sobre suas aventuras. Expliquei como virei um elfo e o meu pai me aceitou. Não quero perder o contato com ele. Satoshi ganhou a roupa que vestiu como presente de Natal do Doutor. Eu não queria nada, só ter conhecido meu herói de infância e meu pai ter me aceitado era o melhor dos presentes de Natal.
Feliz ano novo para vocês.

Laura Tuí

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